Isolamento é fundamental para evitar o pico de casos do novo coronavírus


Antes esperada para meados de abril, a maior incidência de casos deve ser vivida entre maio e junho, segundo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta
BL Bruna Lima ME Maria Eduarda Cardim

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Os primeiros efeitos do isolamento social precoce adotado no Brasil começam a ser percebidos pela alteração na previsão do pico de Covid-19 no país. Antes esperada para meados de abril, a maior incidência de casos deve ser vivida entre maio e junho, segundo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. “Serão, realmente, os nossos meses mais duros.” A mudança é o que tem permitido ao sistema de saúde brasileiro se equipar e receber os doentes de forma menos acelerada. No entanto, a data deve chocar com o período sazonal de outras síndromes respiratórias, desafiando ainda mais as autoridades.

O secretário de Vigilância de Saúde, Wanderson de Oliveira, explicou que a preocupação exposta pelo ministro é baseada em dados anteriores. “No ano passado, percebemos que o período de maior incidência, ou seja, maior número de casos de doença respiratória, aconteceu entre a semana epidemiológica 19 até a semana 27”, pontuou. O período mencionado corresponde ao intervalo de 3 de maio a 4 de julho.

No relatório referente à semana 14, a observação é que a atividade semanal em todo o país permanecerá muito elevada e todas as regiões são consideradas de alto risco. No entanto, a tendência de aumento é menos acentuada do que àquela observada nas semanas 11 e 12, um possível reflexo das medidas de isolamento. “A aparente desaceleração ainda é muito leve e é preciso que as ações de distanciamento sejam mantidas. Se a gente abandonar ou afrouxar, basicamente coloca tudo a perder, joga fora o nosso sacrifício pessoal”, alertou o pesquisador do Programa de Computação Científica da Fiocruz (Procc/Fiocruz) Marcelo Gomes.Continua depois da publicidade

A missão para os gestores e para a população, segundo Gomes, é manter o distanciamento social. “Observamos que a população tem diminuído a adesão ao isolamento. E isso preocupa. Pelo padrão histórico, temos projeção de pico das síndromes respiratórias para os próximos meses. Abandonando as medidas, a velocidade de crescimento pode ser drástica e incontrolável, superando a capacidade do sistema de saúde. E a consequência desse abandono só será mensurado daqui a, pelo menos, duas semanas”, explicou.

O Ministério da Saúde não divulgou medidas específicas para conter os aumentos previstos para maio e junho.

Detida por ignorar quarentena
Enquanto o governador de São Paulo, João Doria, comemorava, ontem, o aumento da taxa de adesão ao isolamento social no estado, que passou de 47% para 59%, uma mulher de 44 anos era detida pela Guarda Civil Municipal da cidade de Araraquara, 250 quilômetros da capital paulista, após descumprir o decreto da prefeitura de isolamento social contra o novo coronavírus. As imagens que mostram Silvana Zavatti se recusando a sair de uma praça viralizaram na internet. Em meio a chutes, a mulher alegava que o “circo do coronavírus” era armado para “implantar uma ditadura comunista”.