Acic realiza estudo sobre impactos do isolamento social e aponta necessidade de apoio da gestão pública na recuperação do comércio cacoalense

Diante da crítica à estratégia do isolamento social no debate atual sobre a pandemia do Covid-19, a Associação Comercial e Industrial de Cacoal (Acic) realizou uma pesquisa, baseada em critérios técnico, que possam mensurar os reais impactos sobre a economia no município cacoalense.


A pesquisa foi coordenada pelo vice-presidente da Acic, professor Gustavo Reis (CRA-1.507), entre os dias 6 e 8 de abril, logo após a reabertura do comércio local. A pesquisa se baseou em 10 questões que tentaram calcular o real efeito dos mais de 15 dias de abertura parcial do comércio. A pesquisa abrangeu 48% dos associados da Acic, o que representa 80 empresas cacoalenses. A pesquisa objetivou mensurar diversos pontos afetados pelo comércio e foi apresentada para a prefeita Glaucione Rodrigues, ao Deputado Cirone Deiró e aos Vereadores Valdomiro Corá e Paulinho do Cinema no dia 20 de abril, no auditório da Acic.

Faturamento das empresas: A pesquisa apurou que neste período cerca de 90% das empresas tiveram redução no faturamento em Cacoal e 45%, do total empresas pesquisadas, tiveram quedas alarmantes, superiores a 50% do faturamento. Somente 10,8% não tiveram perda de faturamento.

Desemprego: Com a forte queda no faturamento das empresas é esperado um alto índice de desemprego em Cacoal. Durante a pesquisa realizada pela Acic, 41,5% das empresas pesquisadas admitiram a necessidade de demitir funcionários. Até a data da pesquisa, aproximadamente 150 funcionários haviam sido demitidos no município. Durante a pesquisa, quando se trabalhou com o cenário de prolongar a restrição do comércio, o número de empresas que pretendiam demitir funcionários aumentou para 73,8%, o que significaria algo em torno de 700 pessoas demitidas. “Isso somente levando em conta as empresas associadas à Acic. Ou seja, podemos projetar um número superior a mais de 1.500 pessoas demitidas, caso este cenário de restrição ao comércio continuasse.
Impacto Direto nos Negócios: um dos quesitos mais preocupantes analisados foram as consequências deste período de isolamento. Pautou-se que 32% das empresas não possuem fluxo de caixa para o mês de abril, o que compromete aspectos que serão sentidos mais para frente. Além disso, 42% das empresas só teria fluxo de caixa para superar este mês de abril. Neste cenário, 42% dos empresários cacoalenses pesquisados acreditam que levarão de sete meses até um ano e meio para recuperar a estabilidade econômica.
Consequências diretas da crise: A pesquisa apurou ainda que as consequências do cenário mostrado até agora apontam para um futuro mais complexo pois, quando perguntado quais as ações tomadas até agora, a pesquisa dividiu-se em dois grupos preocupantes. O primeiro está ligado ao endividamento do empresário: 54% atrasou pagamento com fornecedores ou negociou a dívida; 47,7% atrasou pagamentos de impostos e; 12,3 % atrasou o aluguel. Situações que constituem um endividamento a longo prazo, pois em algum momento estas dividas deverão ser pagas. Pelo cenário analisado, dificilmente as empresas estarão prontas para o pagamento destas dívidas. O segundo grupo está relacionado à geração e redução de empregos, onde 63% das empresas cortaram seus projetos de expansão, o que acarretará na diminuição de novos postos de empregos e 30% reduziram salários dos empregados, o que resultará na redução da circulação de dinheiro no comércio.

Ações para crise: Fica evidente que as empresas só conseguirão acelerar o processo de recuperação da economia do município de Cacoal com a ajuda do poder público, seja na esfera municipal, estadual ou federal. Entre as ações mais psolicitadas pelos empresários esão: Linhas de Crédito Especiais (55,4%), Subsídio para folha de Pagamento (46,2%) e redução dos impostos municipais (41,5%).

Conclusão: Para o responsável técnico pela pesquisa, professor Gustavo Reis, a recuperação das empresas estará atrelada às decisões da Gestão Pública nas próximas semanas. Fica evidente, segundo ele, que outro fechamento levaria a um cenário extremamente negativo, com números infinitamente piores do que os já existentes, com consequências talvez nunca vistas em Cacoal. Gustavo ainda salienta que alguns esforço realizados pela prefeitura, por meio da Acic, como o parcelamento de dívidas e prolongamento de prazos, são úteis a curto prazo, porém não suficientes. O ideal, segundo Gustavo Reis, seria, dentro da legalidade da atual situação, a redução de alguns impostos, para que ao invés de pagamento destas dívidas com estado, este dinheiro seja destinado ao pagamento de folha de pagamento, manutenção de empregos e investimentos nas empresas para que possam gerar novos postos de trabalho a médio prazo.
Fonte:tribunapopular.com.br/