Coronavírus: órgãos recomendam que Sesau crie grupo emergencial voltado à saúde indígena em RO

Conforme recomendação, o grupo de trabalho emergencial multi-institucional deve ter participação de comunidades indígenas e órgãos indigenistas.
Por G1 RO


Grupo de trabalho emergencial multi-institucional, com participação de comunidades indígenas e órgãos indigenistas. — Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Para debater e executar políticas de cuidado à saúde indígena durante a pandemia do novo coronavírus, órgãos públicos de Rondônia se uniram e formalizaram uma recomendação conjunta para que a Secretaria de Estado de Saúde (Sesau) crie um grupo de trabalho emergencial multi-institucional, com participação de comunidades indígenas e órgãos indigenistas.

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O pedido partiu dos Ministérios Públicos Federal (MPF), do Trabalho (MPT), das Defensorias Públicas da União e de Rondônia, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos do estado.

O texto considera relevante a criação do grupo emergencial devido as particularidades imunológicas dos povos indígenas, que podem deixá-los em situação de vulnerabilidade crítica em caso de exposição a Covid-19.

Pesquisadores já demonstram preocupação com a possibilidade que a doença, que tem taxas de fatalidade mais alta entre os mais velhos, interrompa repentinamente culturas inteiras. Já que tradições, conhecimentos específicos e a cultura no geral, em algumas tribos, são passados verbalmente dos mais velhos às novas gerações.

Além das situações sanitárias, o documento cita questões econômicas, dificuldades logísticas e de comunicação, que podem agravar o risco do genocídio indígena.

Ainda conforme a recomendação, o grupo de trabalho emergencial multi-institucional, deve ser acompanhado pela Secretaria Especial da Saúde Indígena (Sesai), do Distrito Sanitário Especial Indigenista (DSEI) e Fundação Nacional do Índio (Funai).
Até a publicação desta reportagem a Sesau não se pronunciou oficialmente sobre o pedido.