Jabá Moreira se reúne com lideranças da comunidade surda em Cacoal

É preciso facilitar o acesso aos serviços públicos e ampliar a comunicação e interação entre ouvintes e surdos
A inclusão e a discussão sobre a falta de acessibilidade que afetam a comunidade surda são uns dos principais pontos do plano de governo do candidato a prefeito de Cacoal, Jabá Moreira (PROS). E para ouvir a demanda dos deficientes auditivos, o candidato esteve reunido na noite desta terça-feira, 27, com lideranças da comunidade surda do município.

O objetivo da reunião é garantir o atendimento de qualidade às pessoas com deficiência auditiva por meio de serviços de tradução e interpretação, além de facilitar o acesso aos serviços públicos e ampliar a comunicação e interação entre ouvintes e surdos. “Quando trazemos a Libras, estamos falando de acessibilidade e inclusão, devemos nos esforçar, assim como toda a sociedade em geral, para transpor as barreiras físicas, pessoais e intelectuais que impedem as pessoas com algum tipo de deficiência de terem uma participação total na sociedade”, explica Jabá.

Jadilson Serafim, presidente da APASA
Jadilson Serafim, presidente da APASA

Para o presidente da Associação de Pais e Amigos Surdos (Apasa) em Cacoal, Jadilson Serafim, não há profissionais de Libras nas empresas e instituições públicas para atender a comunidade.

Um exemplo é nos hospitais públicos, porque todas as vezes que os surdos precisam de atendimento médico, sentem dificuldade no atendimento, pois os profissionais não entendem os sintomas. “Já tivemos surdo que morreu por falta de uma pessoa que entendesse o que ele estava sentindo. A lei diz que temos direito a intérprete, acessibilidade. Mas ainda temos muita dificuldade. Vamos nos hospitais e não temos comunicação com o médico”, reclama Jadilson.

Ele conta que para relatar aos enfermeiros e médicos os sintomas que estão sentindo, o surdo que sabe escrever fala por meio da escrita, ou indica através de gestos, mas nem sempre são entendidos.

Outra reclamação do presidente da Apasa é sobre a falta de oportunidades de trabalho para os surdos e a contratação de intérpretes nas empresas para facilitar a comunicação. “Queremos emprego e acessibilidade aos surdos, pois nós também precisamos trabalhar e queremos oportunidade”, desabafa.
Jabá conhece de perto as dificuldades enfrentadas pela comunidade, pois, tem um deficiente auditivo na família. “Eles precisam de oportunidade e acessibilidade. Eles sofrem muito preconceito por não conseguirem se comunicar e precisamos mudar essa realidade. Precisamos possibilitar às pessoas com deficiência viver de forma independente e participar plenamente de todos os aspectos da vida. Além de adotar medidas apropriadas para assegurar às pessoas com deficiência o acesso, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, à informação e à comunicação”, finaliza Jabá.

Libras
A língua brasileira de sinais (Libras) é a língua usada por surdos em todo o país e deve se esclarecer que a Libras não é a simples gestualização da língua portuguesa, e sim uma língua à parte.
A Lei 10.436/2002 foi sancionada em abril de 2002 e reconhece a Língua Brasileira de Sinais como forma legal de comunicação e expressão. O artigo 2º estabelece que os serviços públicos devem apoiar seu uso e difusão.