PAPUDISKINA – A campanha, o resultado das urnas e a transformação de Fúria em um ator importante para o jogo político em 2022

Essas eleições municipais em Cacoal foram tumultuadas desde o início e com muitas surpresas, sendo a maior delas a decretação da prisão da prefeita Glaucione Rodrigues, tida por muitos como praticamente reeleita graças ao trabalho que realizou, especialmente nos últimos dois anos, quando recuperou quase totalmente a infraestrutura viária da cidade. A prisão dela e seu afastamento do comando da Prefeitura levou o seu próprio grupo ao enfrentamento no processo de escolha a um nome que a pudesse substituí-la em sua coalizão política.

Com Glaucione fora do jogo político, o ex-diretor do Hospital Regional, o Cel. Marco Aurélio Vasques foi o candidato escolhido por cinco de sete partidos de sua coalização partidária. As disputas internas prejudicaram a campanha de Vasques, embora não seja possível cravar como algo determinante. Conspirou a favor do deputado Adailton Fúria o seu crescente carisma e sua habilidade em dialogar principalmente com os setores mais jovens que, inegavelmente, representam uma fatia importantíssima do eleitorado.

Outro fator pouco comum em eleições este ano foi a falta de divulgação de pesquisas, o que deixava a população a ter uma vaga ideia de quem estaria à frente apenas através das redes sociais. Quando finalmente uma pesquisa veio a público, era já a véspera das eleições. Essa pesquisa acertou em relação ao vencedor, mas apresentou uma vantagem do deputado Fúria de apenas 2,2%. Essa margem apertada não quer dizer que tenha havido manipulação do Instituto de Pesquisa, pois o eleitor, muitas vezes, decide em quem votar em frente à cabine. Além disso, a baixa votação de Jabá provavelmente explica o porquê de o resultado favorável ao candidato eleito ter sido tão diferente. A percepção que se tinha era de que Jabá deveria ter entre 7 a 10 mil votos. A campanha do PROS foi bem articulada e o vereador Jabá demonstrava ter bem mais apoio do que as urnas revelaram. O que ocorreu foi o despejo do “voto útil”, que é quando alguém tem preferência por um candidato, mas, diante do sentimento de que esse candidato não tenha chance, rapidamente migra para um dos dois que despontam como os favoritos. Provavelmente muitos eleitores do candidato Jabá migraram para Fúria no dia da eleição.

Deputada Federal Jaqueline Cassol e o Secretário-Geral do Progressista, Luiz Paulo Batista

A vitória do deputado Adailton Fúria, com mais que o dobro da votação do segundo colocado, não era esperada nem mesmo pelos seus apoiadores. O que se tinha, sim, era que, em razão das dificuldades de Vasques em colocar sua campanha nas ruas, o deputado se sagraria o vencedor, mas com uma diferença apertada, pois esperava-se uma aderência maior do eleitorado mais conservador, como o evangélico, mas isso não aconteceu. O candidato Vasques teve um crescimento de 50% em número de votos em relação às eleições de 2016, mas precisaria ter dobrado a votação para ter chances de conquistar a cadeira de prefeito. Já o candidato Fúria teve mais que o dobro de votos em relação a 4 anos atrás, saltando de 12.870 votos para 25.791 votos (mais de 60% dos votos válidos).

Após o resultado das urnas, o jovem Adailton Fúria emerge como uma liderança em nível de Cacoal e também como um ator importante no tabuleiro político para 2022. É pouco provável que ele deixe o mandato para disputar o cargo de deputado federal, mas certamente seu apoio será cobiçado por todos os candidatos a governador e senador. Ele próprio pode se cacifar para a disputa majoritária do Estado, em 2026, caso consiga às expectativas da maioria da população de realizar uma grande administração à frente da prefeitura de Cacoal.

Dentre as lideranças políticas que apoiaram o prefeito eleito nestas eleições, quem mais deve ter ganho é a deputada Jaqueline Cassol que se comprometeu fechar parceria com o município e trazer grandes investimentos. Tem-se essa percepção por que ela vem fazendo um excelente mandato como deputada federal até aqui e seu partido está bem organizado em todo o Estado, graças ao trabalho do secretário-geral do PP, Dr. Luiz Paulo, esposo da deputada, e não será surpresa se o partido lançar candidatos tanto ao senado, quanto a governador de Rondônia daqui a dois anos. Resta saber se a principal liderança do PP, que é a própria deputada Jaqueline, vá abrir mão de sua possível reeleição para disputar uma vaga ao Senado já em 2022. O mais provável é que ela esteja construindo uma trajetória para se lançar a essa disputa somente em 2026 e, nesse caso, um provável alinhamento com o jovem prefeito eleito de Cacoal resultaria em seu lançamento ao cargo de deputado federal nessa mesma época. Mas em política tudo é muito imprevisível e, a depender a conjuntura política, Jaqueline poderia antecipar em quatro anos o lançamento de sua candidatura ao Senado. Aguardemos!