As tretas entre vereadores de Cacoal, a máquina mortífera contra covid e o herói ao reverso!

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Por Daniel Oliveira da Paixão

Lembram do reino da Aspônia, meus insignes leitores? Sentem que lá vem histórias sobre esse reino e as tretas que rolaram soltas. Ocorre que um membro do Conselho de Ministros do Rei Furor Benignum – não muito alinhado com ele – decidiu apresentar um projeto sob alegação de que deveria acudir as mulheres vítimas de violência.

Por vários dias, o nobre conselheiro desfilou soberano pelas ruas e vielas do reino, falando das maravilhas de seu projeto e de como ele poderia ser útil para a sociedade. Nesta semana, porém, um outro conselheiro, aquele que costuma expulsar os demônios da corrupção, decidiu exorcizar o projeto. Disse que havia demônios escondidos e que precisavam ser removidos.

O autor do projeto, claro, ficou muito indignado. Disse que não é apenas um simples conselheiro de sua majestade, Furor Benignum, mas também tem outras qualidades que o fazem ser distinguido e por isso não merecia tamanha desfeita. Por ser Diurnarius et advocatus, dito conselheiro afirma que seu projeto foi santificado nos ritos sagrados do parlamento e não vai aceitar que ele seja submetido ao sacrifício da purificação.

Os súditos de sua majestade Furor Benignum tiveram ainda uma dose extra de assuntos polêmicos para debater. O fato é que alguém que já foi imperador da Confederação de Reinos da qual a Aspônia faz parte, fez algo bem mais notável do que exorcizar demônios. De certa forma, ele parece também ter se inspirado no exorcista da Asponia, mas usa o fogo (dispositivo de solda) para expulsar não os demônios, mas os vírus malignos que impregnam o nosso mundo, despois que foram expulsos do inferno em que viviam e ganharam os confins da terra.

Para quem ainda não captou nossa mensagem, estamos falando de Ivus Cassol Sanctus Pyram, que foi mostrado para todo o planeta como alguém que afirma ter descoberto uma fórmula mágica para expulsar o coronavírus de qualquer ser vivente, usando uma máquina mortífera. Não satisfeito em apenas mostrar sua alquimia para todos os que habitam a confederação de Reinos do Baixo Amazônida, o próprio Ivus Sanctus Pyram usou sua máquina mágica para queimar os demônios do vírus. A cena correu o mundo como um rastilho de pólvora e o imperador que havia se refugiado em algum reino da confederação, deu o ar de sua graça e apresentou-se aos povos que um dia governou.

Se você pensa que a confusão e tretas aconteceram apenas no Reino da Aspônia e na Confederação de Reinos do Baixo Amazônidas, está enganado. Em um âmbito mais global, mais precisamente na região conhecida por Terra Brasilis, o bicho pegou e os Magistrados Supremos, por muitos considerados como deuses togados, decidiram o futuro do outrora proeminente procônsul do principado de Curitiba, cujo nome derivado do latim é Sérgiu Morus.

E se eu te contar que nessa história também teve algo a ver com purificação, santificação ou extermínio? Nesse caso, extermínio de reputação. Os magistrados, ou deuses togados, reuniram-se para decidir se o ex procônsul de Curitiba era Herói ou Vilão. O julgamento foi bem confuso. Primeiro os deuses togados favoreceram o procônsul e o alçaram ao panteão dos heróis nacionais, mas algumas horas depois, ouviram o ecoar da voz de Jotinha, in memoriam, que dizia: “Ok, ok…. houve um equívoco…..” Essa voz alcançou os auribus da outrora magistrada chefe, Carminha Lúcius, e ela explicou que o procônsul não merecia o panteão, mas ser lançado ao lago do esquecimento em razão de suas vilanias e travessuras que cometeu às escondidas e que foram reveladas por um certo mago Delgatius.

Por falar em Delgatius, foi ele quem revelou as peripécias de Sergius Morus contra outro personagem das Galáxias, conhecido como São Lula da Lavajactus e que, após a alquimia de Delgatius, deixou de ser o sapo barbudo que era e se transformou, ao menos para os seus fanáticos seguidores, em “a viv’alma mais honesta do planeta”.

Resumo da Saga: Esta foi uma semana atípica em que demônios foram expulsos, vírus exterminados por fogo de máquina de solda e o vilão se tornou herói e o herói se transformou em vilão.

FONTE: TRIBUNA POPULAR

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