MP e polícia investigarão uso de solda no ‘tratamento’ da Covid-19

Compartilhar

Cassol diz que soube de um caso “de um cara que estava doente de Covid, foi fazer uma soldagem e ficou curado”, por isso ele estava ali para “tirar a prova dos nove” e vê se realmente o experimento funciona

Tudorondonia
O Ministério Público de Rondônia informou, por meio de sua assessoria, que investigará o uso de solda para supostamente curar doentes de Covid-19.

A proliferação deste tipo de “experiência” para tratar os infectados pelo coronavírus surgiu no interior do Estado e ganhou repercussão nacional a partir de um vídeo gravado pelo ex-senador e ex-governador Ivo Cassol (PP) em que ele aparece aplicando a “nova técnica” em um amigo que se diz infectado pelo corona (Assista).

Cassol diz que soube de um caso “de um cara que estava doente de Covid, foi fazer uma soldagem e ficou curado”, por isso ele estava ali para “tirar a prova dos nove” e vê se realmente o experimento funciona.

Fabrício, de bermuda, sapato, sem camisa e de máscara, rodopia em torno da fumaça e das faíscas produzidas pela soldagem, feita por Ivo Cassol,  de uma chapa de aço.

Nesta terça-feira o ex-governador virou notícia nacional, recebeu críticas severas, e foi alvo de memes na internet.

Mesmo assim, em declaração ao site Rondoniaovivo, Cassol defendeu o “experimento”. Depois de afirmar que não se tratava de uma brincadeira, ele disse que “o teste para matar o coronavírus parece ter surtido efeito” em Fabrício, identificado como Fabrício Webber, de 42 anos.

Segundo Cassol, o que “mataria o coronavírus não seria a fumaça nem as faíscas” que são criadas no processo de soldagem de metais, mas a luminescência provocada durante o ato.

Fabrício, por sua vez, disse ao site que “tomou banho de luz de solda na segunda-feira e que nesta terça acordou se sentindo bem”.

Cassol não foi o único a difundir a soldagem como “técnica” para supostamente curar a Covid. Diversos grupos de WhatsApp estão compartilhando imagens de diferentes pessoas fazendo o mesmo, muitos em oficinas de carro e até borracharias. Há casais que tomam “luz de solda” juntos.

O fato chamou a atenção das autoridades, que vão investigar quem está envolvido em algo tão inusitado, que não tem qualquer comprovação científica ou eficácia, e que ainda pode provocar grave intoxicação pela fumaça da solda, agravando o quadro de quem está infectado pela Covid.

Compartilhar