Cacoal, RO - O cirurgião-dentista Jean José Dunga de Oliveira, de 41 anos, é acusado de transmitir HIV intencionalmente para várias mulheres em Porto Velho.
Ele foi condenado a cinco anos de prisão em regime semiaberto e ao pagamento de R$ 50 mil a uma das vítimas, com quem namorou por cerca de um mês.
O Ministério Público de Rondônia (MP-RO) aponta que o homem continuou a infectar outras mulheres mesmo após já responder a um processo criminal.
Além da condenação recente, o dentista responde a uma segunda ação penal envolvendo outras três vítimas, com acusações que incluem o crime de estupro.
A pedido do MP-RO, que alertou para o risco iminente de novas contaminações, a Justiça determinou uma nova prisão preventiva do acusado na quarta-feira (9).
O relato da mulher que denunciou namorado por transmissão intencional de HIV em RO
Condenado por transmitir HIV à então namorada em Porto Velho, Jean José Dunga de Oliveira, de 41 anos, também é réu em outra ação penal que envolve três mulheres. O processo inclui acusações de lesão corporal gravíssima, perigo de contágio de doença grave e, em dois casos, estupro.
No caso já julgado, Jean foi condenado a cinco anos de prisão em regime semiaberto e ao pagamento de R$ 50 mil em indenização à vítima. Já a segunda ação penal, que reúne denúncias de outras três mulheres, ainda tramita na Justiça. Todos os casos correm sob sigilo para proteger a identidade das vítimas.
Segundo currículos profissionais disponíveis na internet, Jean se apresenta como cirurgião-dentista com especialização em implantodontia.
Jean foi preso em junho de 2026, depois de ser denunciado por quatro vítimas distintas. Segundo o Ministério Público de Rondônia (MP-RO), o pedido da prisão foi feito porque ficou evidente que, mesmo respondendo a uma ação penal, o homem continuava transmitindo o vírus para outras mulheres./i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/v/8/pxmuNlT36Q4H8wgQ7Cvg/info-homem-e-condenado.png)
Homem é condenado por transmitir HIV de propósito em RO — Foto: arte/g1
➡️As investigações contra o réu nasceram a partir dos acolhimentos feitos nas salas do Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit) do MP-RO.
Segundo o órgão, a primeira denúncia foi feita no dia 4 de dezembro de 2025. A mulher relatou que sofreu violência sexual e depois descobriu estar contaminada com HIV. A segunda vítima foi ouvida seis dias depois, relatando o mesmo crime.
Em janeiro de 2026, a terceira pessoa foi encaminhada ao Navit por meio do Serviço de Atendimento Especializado (SAE), uma unidade localizada em Porto Velho que oferece testagem e tratamento para pessoas que vivem com HIV e Aids.
🔎O HIV é o Vírus da Imunodeficiência Humana. Ele invade e enfraquece o sistema imunológico, que protege o corpo contra doenças. Caso não haja tratamento, ele pode causar a Aids (termo para Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, em inglês).
Os casos das três primeiras vítimas resultaram em um processo único. Jean foi denunciado à Justiça por lesão corporal gravíssima e perigo de contágio de doença grave. Em relação a duas das mulheres, ele também foi acusado de estupro
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/5/L/7cAo3cTBikNnA2ki1byw/g1-ro-2026-6-.jpg)
Jean José Dunga de Oliveira — Foto: Arquivo Pessoal/Vítima
Mesmo respondendo a essa ação penal, Jean começou a namorar com Marta*. Segundo o relato dela, eles ficaram juntos por cerca de um mês, até que ela percebeu sintomas e descobriu que também tinha sido contaminada. Em busca de assistência e justiça, a vítima compareceu ao Navit no dia 28 de maio.
"Fui contaminada de forma intencional, ou seja, de forma criminosa, por uma pessoa que havia usblemas emocionais", lamenta.
*Para proteger a identidade da vítima, que teme o estigma social e a exposição de sua família, ela é identificada nesta reportagem pelo nome fictício de Marta. A identidade do acusado é real.
Leia mais: 'Momento mais triste da vida': o relato da mulher que denunciou o namorado por transmissão intencional de HIV em RO
O caso de Marta resultou em um segundo processo contra Jean. Os relatos dela foram essenciais para que ele fosse preso em junho e condenado no dia 24 de agosto por lesão corporal.
Já o processo envolvendo as outras três vítimas ainda corre no 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO).
Embora já estivesse cumprindo pena em regime semiaberto pela condenação relacionada a Marta, o MP-RO pediu nesta semana uma nova prisão preventiva alegando risco iminente de novas contaminações caso ele permanecesse no regime semiaberto. Na quarta-feira (9), o acusado voltou a ser preso.
A denúncia do MP-RO contra Jean aponta que ele tem conhecimento do próprio diagnóstico há cerca de 10 anos e optou por não aderir ao tratamento antirretroviral. Segundo o MP-RO, a suspeita é que o homem não quis se tratar justamente para transmitir o vírus às pessoas com quem se relacionava.
🔎 O tratamento feito corretamente mantém a carga viral indetectável e impede a transmissão.
De acordo com o MP-RO, é possível que existam outras vítimas ainda não identificadas. Caso haja a confirmação do diagnóstico, as vítimas em Rondônia podem procurar o Navit:
WhatsApp (69) 99906-6411 ou
por ligação no (69) 98408-9931.
Qualquer pessoa que desconfie ter sido exposta ao vírus pode procurar as Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou as UPAs para realizar o teste rápido de forma gratuita e sigilosa. O município de Porto Velho também conta com o atendimento do SAE.
Por Jaíne Quele Cruz, g1 RO
0 Comentários