Disputa ao Senado em Rondônia em 2026: Dois Favoritos e um Tabuleiro Fragmentado

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Disputa ao Senado em Rondônia em 2026: Dois Favoritos e um Tabuleiro Fragmentado


(Foto: Divulgação)

Cacoal, RO
- Em meio à movimentação política que antecede as eleições de outubro, Rondônia se prepara para uma das disputas mais acirradas de sua história recente pelo Senado Federal. Com duas vagas em aberto e uma regra eleitoral que permite a cada eleitor votar em dois nomes, a corrida já reúne ao menos 12 pré-candidatos de diferentes espectros ideológicos. Entre eles, os nomes de Bruno Scheid e Fernando Máximo, ambos do Partido Liberal (PL), despontam como os favoritos, segundo as pesquisas mais recentes — mas o cenário ainda está longe de uma definição tranquila.

Dois PLs, um só partido e o risco da divisão de votos

O levantamento mais recente do Instituto Veritá, divulgado em 24 de março de 2026, aponta que Bruno Scheid lidera as intenções de voto com 27,9%, seguido por Fernando Máximo com 17,5%. Em votos válidos — que excluem brancos, nulos e indecisos — Scheid aparece com 32,4% e Máximo com 20,3%. Atrás deles vêm o senador Confúcio Moura (MDB) com 11,8% e os atuais senadores Marcos Rogério (PL) e a deputada federal Silvia Cristina (PP), ambos com cerca de 7% a 7,7%.

Os números colocam Bruno Scheid como líder isolado na corrida. Empresário e vice-presidente do PL em Rondônia, ele é apoiado diretamente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e carrega consigo a força do bolsonarismo no estado. Já Fernando Máximo, deputado federal e ex-secretário estadual de Saúde, foi o parlamentar mais votado em Rondônia na eleição de 2022, com 85.596 votos. Embora esteja no mesmo partido que Scheid, sua campanha tem se concentrado em uma agenda de saúde e segurança, buscando um eleitorado próprio.

O grande desafio para o PL será coordenar as duas candidaturas para evitar a canibalização de votos. Em um cenário ideal para a legenda, ambos poderiam ser eleitos — mas, para isso, será necessário que a máquina partidária atue com precisão nos próximos meses.

Silvia Cristina e Mariana Carvalho: o peso das alianças e a instabilidade das pesquisas

Se as pesquisas mais recentes favorecem os dois nomes do PL, levantamentos anteriores pintavam um quadro bem diferente. Em fevereiro de 2026, o Instituto Phoenix apontava a deputada federal Silvia Cristina (PP) na liderança, com 18,3% das intenções de voto, seguida pelo senador Confúcio Moura (MDB) com 14,3% — um cenário em que Bruno Scheid aparecia apenas com 7,7%.

A oscilação expressiva nos números de Silvia Cristina — que foi a segunda deputada federal mais votada em Rondônia em 2022, com 64.941 votos — indica que sua campanha ainda não consolidou um eleitorado fiel. A deputada conta com o respaldo do presidente nacional do Progressistas, senador Ciro Nogueira, e tem tentado construir uma base mais ampla, mirando o eleitorado conservador que não se identifica integralmente com o bolsonarismo.

Por sua vez, Mariana Carvalho (Republicanos) aparece com 10,1% na pesquisa Phoenix e 5,1% na pesquisa Veritá. Ex-deputada federal e ex-vereadora de Porto Velho, ela chegou ao segundo turno da eleição municipal de 2024 na capital, com 44,53% dos votos válidos, e em 2022 ficou em segundo lugar na disputa por uma única vaga ao Senado. Sua força está concentrada na capital e entre um eleitorado urbano e de classe média, mas precisará ampliar sua capilaridade no interior para se tornar competitiva.

O fator Confúcio e a esquerda fragmentada

O atual senador Confúcio Moura (MDB), que ocupa uma das duas cadeiras em disputa, aparece com cerca de 11% a 14% nas pesquisas. Ex-governador do estado e figura conhecida do eleitorado, ele representa uma centro-direita tradicional, mas tem enfrentado dificuldades para se destacar em meio à polarização crescente entre bolsonarismo e lulismo.

No campo da esquerda, o cenário é ainda mais fragmentado. O PT lançou a pré-candidatura de Luciana Oliveira, ativista política histórica no estado, enquanto a Rede Sustentabilidade aposta na ativista indígena Neidinha Suruí, reconhecida por mais de quatro décadas de atuação na defesa dos direitos indígenas e ambientais. Ex-senadores como Acir Gurgacz (PDT) e Amir Lando (MDB) também estão na disputa, mas ainda não decolaram nas pesquisas. O alto índice de indecisos — na pesquisa Phoenix, 13,9% não sabiam em quem votar — abre espaço para que esses nomes cresçam ao longo da campanha.

O que está em jogo: muito além de Rondônia

A eleição para o Senado em Rondônia não é apenas uma disputa local. Em um momento de forte tensão institucional entre os poderes da República, o Senado tem se consolidado como uma trincheira decisiva: de um lado, parlamentares que defendem uma atuação mais firme da Casa como contrapeso ao Supremo Tribunal Federal; de outro, aqueles alinhados ao governo federal.

As duas cadeiras em jogo — atualmente ocupadas por Confúcio Moura e Marcos Rogério — podem definir o equilíbrio de forças na Casa. A movimentação de Marcos Rogério, que oficializou sua pré-candidatura ao governo estadual, deixou sua cadeira no Senado em aberto, ampliando ainda mais a competição.

Próximos passos e o que esperar

As convenções partidárias estão marcadas para ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto, quando os nomes serão oficializados. Até lá, alianças podem ser costuradas, novos nomes podem surgir e o cenário pode mudar radicalmente.

O que se desenha até o momento, no entanto, é uma corrida com dois líderes claros — Bruno Scheid e Fernando Máximo — mas com um pelotão intermediário pronto para aproveitar qualquer deslize. Em um estado com pouco mais de 1,2 milhão de eleitores, cada voto terá peso. E, pela primeira vez, cada eleitor poderá escolher dois nomes para o Senado — o que torna a estratégia de campanha tão importante quanto a própria popularidade dos candidatos.

A disputa, portanto, não será apenas entre nomes. Será entre narrativas, entre projetos de poder e, em última instância, sobre o rumo que Rondônia — e o Brasil — escolherá para os próximos oito anos.

Fonte: Redação

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