
PORTO VELHO RO - os corredores dos hospitais públicos — como o Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II — enfrentam superlotação, escassez crônica de insumos e filas intermináveis de pacientes que aguardam por atendimento digno, a cúpula do poder em Rondônia parece viver em uma realidade paralela. A regulamentação que autoriza o uso de recursos públicos para o reembolso de despesas médicas particulares do governador Marcos Rocha e de seus familiares escancara uma ferida profunda na ética da gestão pública.
Não se trata apenas de uma questão administrativa, mas de um grave contraste moral. Com uma remuneração bruta superior a R$ 35 mil, o chefe do Executivo estadual possui plenas condições financeiras de arcar com planos de saúde ou consultas na rede privada, assim como qualquer trabalhador de alta renda. No entanto, decidir transferir o ônus de sua saúde pessoal e de seus parentes para os cofres públicos — custeados pelos impostos de uma população que sofre para conseguir uma simples consulta — revela um profundo descolamento da realidade social.
O agravante de termos processos com acesso restrito sob o pretexto da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) acende um alerta vermelho sobre a transparência. Quando o gasto público com o bem-estar particular de autoridades é blindado de uma fiscalização rigorosa, a democracia enfraquece e abre-se espaço para a desconfiança generalizada.
A saúde pública em Rondônia clama por socorro, investimentos urgentes e gestão eficiente. Enquanto o cidadão comum agoniza à espera de exames e medicamentos, priorizar regalias e mordomias para a elite política é um insulto à dignidade humana. O povo rondoniense exige respeito, decência e, acima de tudo, gestores que coloquem as necessidades coletivas acima de privilégios particulares.
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